segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Dinâmica populacional


Será possível modelar a dinâmica populacional de civilizações inteiras? Ou esses grupos populacionais não encaixam nos parâmetros aceites para esse tipo de análise?

Is it possible to model the population dynamics of entire civilizations? Or these populational groups do not fit the accepted parameters for that kind of analysis?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vergonhosa natureza

O excelente Thomas Mann também percebia bem os entraves que um certo tipo de sentimento religioso pode pôr ao estudo da Natureza. Em "Doutor Fausto", faz o narrador, Serenus Zeitblom, dizer:

"(...) sempre compreendi muito bem tal desconfiança que uma época religiosa, espiritualista, nutria contra a incipiente paixão de explorar os segredos da Natureza. O temor a Deus devia interpretá-la como um intromissão libertina em campos proibidos, não obstante a contradição que se pode descobrir no facto de se considerar como territótrio moralmente indecoroso a Criação divina, a natureza e a Vida. A própria natureza está demasiado cheia de produtos vexatoriamente inseridos na bruxaria, de caprichos ambíguos, de alusões semiveladas, que de modo singular apontam para um mundo incerto, para que os devotos, na sua púdica moderação, não devam reputar de transgressão temarária a preocupação em relação a ela."

Conseguir expressar o seu ponto de vista de forma tão elegante e convincente... é o sonho de qualquer um, não?

P.S.- Pedro, respondi às tuas dúvidas sobre o post do esfenóide, nos comentários.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Criacionistas do mundo, Uni-vos!


Sim, o criacionismo está correcto. Quanto a isso não temos dúvidas nenhumas. Que o evolucionismo está errado, também ninguém duvida. Aliás, por estar de todo errado é que se afigura uma melhor resposta às duvidas da nossa origem do que a versão ditada pela mente de humanos a pretender chegar a deus.

O criacionismo está correcto enquanto houver alguém que o afirme como tal. Tirando todos os seus crentes, a criação deixava já de fazer sentido. Deus sumia-se e toda a esquizofrenia religiosa desaparecia. Muito simplesmente porque os seus crentes abandonavam a base que é a sua própria estrutura.

Porque existe uma diferença fundamental para se comparar o incomparável, seja o criacionismo e o evolucionismo, sejam as outras fracturas que a igreja tenta impor como equilibradas, quando não o são. E a diferença centra-se no Homem. A criação como explicação da sua origem é apenas uma das muitas explicações que o homem gostaria de ter, a que mais lhe convém e/ou que simplesmente tenha sido a que melhor conseguiu congeminar. Analisando de perto, não me seduz, é um pouco barroca, por assim dizer. Se me pedissem um explicação para a nossa origem, tinha decerto invenções bem mais fantasiosas e entusiasmantes que a criação em seis dias, esta é apenas aborrecida. Contudo não deixa de ser uma criação do homem, o criacionismo é uma criação humana e nem por sombras divina.

A evolução não explica a origem do ser humano, nem a origem de qualquer outro ser vivo, é apenas a aproximação da capacidade humana para perceber um padrão que se repete infinitamente pelo universo. E a diferença reside aqui, se e no caso de ser necessário comparar, a comparação só faz sentido na existência do comparador, uma vez que eliminado este (ser humano) a primeira (criação) desapareceria e a segunda (evolução) nem precisa deste para se verificar.

Há pessoas que vivem em profunda negação, exemplo aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A não perder.

“A Ciência terá Limites?” é a interrogação de partida para a Conferência Gulbenkian 2007 que se realiza a 25 e 26 de Outubro, no Auditório 2 da Fundação. A reflexão incidirá sobre a eventual crise ontológica na Ciência: se os progressos científicos têm motivado os avanços da história desde os tempos pré-socráticos, a Ciência estará agora a entrar num beco sem saída devido às limitações técnicas e à incapacidade de comprovar novas teorias? Esta vai ser a questão de fundo presente nas intervenções dos oradores convidados. O professor e ensaísta George Steiner, convidado a conceber esta conferência e João Caraça, director do Serviço de Ciência da Fundação. Mais informação aqui

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nem a propósito!

É criar este blogue sobre evolução num dia e encontrar, uns dias depois, a seguinte prosa no "Guerra e Paz" de Tolstoi. Escreve a Princesa Maria Bolkonsky a uma amiga:

Nunca pude compreender a paixão que têm certas pessoas em perturbar o espírito consagrando-se à leitura de livros místicos que apenas servem para levantar dúvidas nas suas almas, exaltando a imaginação e dando-lhes um temperamento exagerado, em tudo contrário à simplicidade cristã. É bom lermos os Apóstolos e o Evangelho. Não procuremos compreender o que neles há de misterioso, pois, como ousaríamos nós, miseráveis pecadores que somos, iniciar-nos nos terríveis segredos da Providência enquanto estivermos ligados a este despojo carnal que levanta entre nós e o Eterno um impenetrável véu? Limitemo-nos, pois, a estudar os princípios sublimes que o nosso Divino Salvador nos confiou para nosso governo na Terra; procuremos conformar-nos com eles e segui-los; persuadamo-nos de que quanto menos asas dermos ao nosso fraco espírito humano mais isso agrada a Deus, que rejeita toda a sabedoria que d'Ele não vem; e que quanto menos procurarmos aprofundar aquilo que Ele houve por bem esconder do nosso entendimento, tanto mais depressa Ele no-lo revelará graças ao Seu divino espírito.

"... mais isso agrada a Deus..." Portanto Deus dar-nos-ia um espírito inquisitivo mas só ficaria satisfeito se o não puséssemos em prática! Parece-me a atitude que conduziu outrora à Idade das Trevas...

A conversa primordial


Ora, depois da apresentação, queria referir a conversa que deu origem à ideia do blogue! Eram 2h da manhã, sítio: bairro alto, sentados numas escadinhas largas e sujas, entre três biólogos a conversa não podia desembocar senão nas grandes questões da vida, neste caso: qual a origem do homem moderno (Homo sapiens)?

E bom, a novidade por aqueles e estes dias, vai sendo a descoberta do papel crucial que um osso do crânio de que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, o esfenóide, teve no surgimento do homem moderno a partir dos seus antepassados mais robustos e carrancudos (já explico o carrancudos!).

Então não é que, aparentemente, esse osso, que parece uma borboleta (ver imagem) e se situa na base do crânio, tem vindo a encurtar-se e a rodar, periodicamente, ao longo dos últimos milhões de anos (e continua a fazê-lo)! Como o esfenóide liga 17 dos 22 ossos do crânio, qualquer alteração na sua posição afecta toda a estrutura da caixa craniana. As rotações que vem sofrendo têm permitido uma retracção da face (a nossa face não se projecta para a frente como a do neandertal!) e a forma cada vez mais globular do crânio (mais espaço para um cérebro maior!).

Estima-se que a última rotação do esfenóide tenha ocorrido há 125 000 anos, dando origem ao homem moderno. Quando a próxima ocorrer (e aqui, bem ou mal, assume-se que um relógio genético/evolutivo imparável está em acção) teremos o Homo futurus :)

Para terminar, do mundo da ortodontia chega a possível evidência de que tal já esteja a acontecer: não pára de aumentar em todos os continentes a percentagem de pessoas com dentes desalinhados devido a problemas com o palato (o "céu da boca"), cuja estabilidade está ligada ao desenvolvimento, claro está, do esfenóide :)

sábado, 13 de outubro de 2007

Bem vindos!


Bem vindos a este blogue sobre evolução.

Procuramos um nome apelativo, e um público atento, ou seja, vocês. Por isso contamos desde já com a a vossa participação na sondagem e caso não vejam a vossa preferência representada, deixem sugestões na caixa de comentários.

Este blogue surge da vontade de confrontar a recente cavalgada de ideias criacionistas e ainda contribuir para um debate aceso e sincero sobre a evolução. Porque a história da vida não começou com o Senhor nem acabou com Darwin.