O excelente Thomas Mann também percebia bem os entraves que um certo tipo de sentimento religioso pode pôr ao estudo da Natureza. Em "Doutor Fausto", faz o narrador, Serenus Zeitblom, dizer:
"(...) sempre compreendi muito bem tal desconfiança que uma época religiosa, espiritualista, nutria contra a incipiente paixão de explorar os segredos da Natureza. O temor a Deus devia interpretá-la como um intromissão libertina em campos proibidos, não obstante a contradição que se pode descobrir no facto de se considerar como territótrio moralmente indecoroso a Criação divina, a natureza e a Vida. A própria natureza está demasiado cheia de produtos vexatoriamente inseridos na bruxaria, de caprichos ambíguos, de alusões semiveladas, que de modo singular apontam para um mundo incerto, para que os devotos, na sua púdica moderação, não devam reputar de transgressão temarária a preocupação em relação a ela."
Conseguir expressar o seu ponto de vista de forma tão elegante e convincente... é o sonho de qualquer um, não?
P.S.- Pedro, respondi às tuas dúvidas sobre o post do esfenóide, nos comentários.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
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